julho 2023

Mercado de Capitais e governança: avanços, retrocessos e desafios com Mauro Cunha


Aconteceu em fevereiro mais uma edição do G5 Talks! Dessa vez, nosso convidado foi Mauro Cunha, Economista e Professor que é uma das maiores lideranças de Mercados de Capitais no Brasil, com quase 30 anos de atuação no setor. É Ex-Presidente da AMEC e do Conselho do IBGC, e atuou como Conselheiro em empresas como Petrobras, Eletrobras e CEF. Atualmente, Mauro é membro dos Conselhos de Administração de Vale, Klabin, Totvs e BRMalls. Desenvolvendo o tema “Governança Corporativa e Mercado de Capitais”, Mauro nos trouxe durante o bate-papo, os principais avanços, retrocessos e desafios da área. O G5 Talks é um projeto por meio do qual lideranças empresariais trocam experiências e aprendizados com o time da G5.

Governança

Durante a conversa, Mauro argumentou que além dos importantes papéis das instituições públicas, enxergar o valor de cada empresa nesse processo, é vital para pensar novas possiblidades em governança. “Minha jornada tem sido focada em Governança Corporativa e Mercado de Capitais por uma percepção do poder impactante que isso tem para a sociedade brasileira”, comentou. Mauro também chamou a atenção em como vivemos um momento delicado no mercado, com um período pré-eleitoral e oscilações que tornam difícil encontrar temas dominantes, entre a atual realidade política, Covid ou acontecimentos internacionais, como a da atual situação da Ucrânia. Ele ainda destacou que o Brasil, outrora tido como um mercado emergente de destaque em função da sua infraestrutura de Mercado de Capitais, acabou frustrando as expectativas. Argumentou sobre a importância de se ter um mercado sustentável e com normas que ditem claramente “a regra do jogo”. Sobre os gestores de empresas de forma geral, Mauro acredita que “a maioria não faz o dever de casa. O dever fiduciário do gestor é cuidar dos ativos como se fossem dele. Se ele cuida, precisa se envolver na Governança das companhias. Não importa se a empresa investida tem controlador ou não”, complementou.

ESG

Relatando sobre a interação macro e micro que permeia as áreas econômica e financeira, o economista comentou que chegamos a um termo que está na moda: ESG – Environmental, Social and Corporate Governance. Segundo Mauro, “é muito importante que as empresas atuem nas três dimensões do ESG. Isso porque o E (ambiental) e o S (social), sem o G (governança), resulta em greenwashing. Para se evitar essa situação, primeiro é importante implementar o G.”. Mauro alertou que quando analisamos a situação do mercado nacional, ainda percebemos a tendência das empresas locais se focarem nas agendas social e ambiental, dedicando pouca ou nenhuma atenção à dimensão da governança corporativa.

Perspectivas para o futuro

No bate-papo, o economista ressaltou que ainda há muito o que fazer e que não há uma “bala de prata para se resolver todos os problemas do nosso mercado de capitais”. Segundo ele, cada stakeholders que compõe o mercado precisa fazer seu trabalho no entendimento dos desafios e assumir sua responsabilidade como agentes de transformação. Reguladores, gestores de mercado, acionistas, executivos, bancos de investimentos, advogados e investidores de uma forma geral, todos têm um papel a desempenhar. “Hoje nós estamos num mundo dominado por modismos, como ESG e compliance”.É necessário se tomar ações concretas que tragam efeitos práticos para reforçar as boas práticas de negócios e do mercado como um todo. “Estruturas foram criadas e muita coisa boa aconteceu. As áreas de compliance e auditoria estão hoje muito mais robustas e desenvolvidas, mas ainda há muito por fazer”. Mauro chamou ainda a atenção para a importância crítica da “ética” como pilar do processo evolutivo do mercado de capitais, reforçando a importância de cada um de nós assumir seu papel na disseminação dos mais elevados padrões de comportamento. Mauro finaliza dizendo que: “depende das pessoas. Aqui está o maior componente que precisamos melhorar na Governança das empresas: os próprios conselheiros. Nós precisamos de conselheiros efetivos, éticos e que agreguem valor”.

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